Tigres de Niterói mostra as garras na passarela virtual em sua volta à LIESV.

Mais uma escola a voltar pra LIESV em 2020, a Tigres de Niterói busca seu espaço no grupo especial e pra isso traz a origem do Candomblé Jeje no seu enredo.

Batemos um papo com o Presidente Thiago Meiners, confira:

1- Porquê a escola escolheu esse enredo?

Fizemos a escolha deste enredo a partir de um banco de enredos meu e do carnavalesco Mateus Schappo. Não podíamos perder muito tempo para iniciar o trabalho nos desenhos visto que temos pouco tempo e o Mateus queria aproveitar o tempo livre da quarentena. Então, escolhemos algo que fosse de agrado de ambos e que mantivese a linha dos enredos antigos da escola trazendo cultura e sentimento.

2- Como será desenvolvido na passarela João Jorge 30? (Ficha técnica, alas, alegorias, casais e afins)

Bom, o enredo foi dividido em quatro setores. No primeiro setor vamos mostrar a lenda da criação do mundo segundo a religião Vodun através dos Adjás, descendentes dos Ewe Fon na África antiga. No segundo setor vamos mostrar como a religião Vodun ganhou a África – atráves do Reino de Daomé e ainda falaremos um pouco sobre o maior reino de todo continente africano. No terceiro setor, os negros aportam no Maranhão e mostraremos as lendas e o folclore da terra das encantarias. No final, mostraremos como a junção da cultura e religiosidade da África Vodun com ao folclore do Maranhão criaram o Candomblê Jejê e outras diversas manifestações culturais e populares pelo Brasil.

Nós iremos levar pra avenida 4 alegorias, 20 alas, 1 quadripé e 1 casal de mestre-sala e porta-bandeira.

3 – Qual a motivação da escola em busca do título?

Desde o dia em que a Tigres foi criada sempre pensamos em vencer. É algo que está no nosso DNA. Temos um grande enredo, um grande samba e o Mateus é um grande carnavalesco. Então, tenho certeza que vamos brigar lá em cima.

4- O que os espectadores podem esperar da escola em 2020?

Estamos preparando um desfile muito cultural e muito forte. Nossa ideia é mostrar uma África Vodun – o que significa trazer uma linha visual diferente do convencional. A partir daí mostraremos um Maranhão muito colorido e folclórico pra fecharmos com o Candomblé Jejê e suas manifestações populares.

5- Como será feita a escolha do samba?

Será encomenda e inclusive já está pronto.

Agora a sinopse:

“Candomblé Jejê – A Velha Raça Brasileira”

Sinopse:

Ewe Fon. A crença dos Adjás se une a sua cultura. A religião Vodun se inicia ao som dos tambores da criação do mundo.

Ó senhora! Grande e primeira Yabá. Nanã – Aquela que carrega o dom da morte e da vida. O seu poder geraria deuses – filhos – Lissá, o sol e Mawu, a lua. Descendentes da sua linhagem e governantes do mundo.

Mas, as maldades de Lissá proliferam pelo mundo… Pestes, pragas, dor, escuridão… E Nanã envia seu filho para o castigo eterno enquanto Mawu governaria o mundo e toda a sua criação.

As origens do reino de Daomé se devem ao abraço do povo a religião Vodun. “Que nossos negros não sejam mercadoria” – Dizia o rei do Daomé. Tal sonho do rei era realidade nos tempos do comércio de marfim e da abundância do ouro. Onde guerras eram travadas entre tribos apenas para demonstração de grandeza. Uma África livre, soberana e imponente.

E do mar vieram os invasores. Extermínio, sofrimento, escravidão… Rituais Voduns em templos sagrados profetizaram o ataque e impuseram ao meu povo a coragem de resistir.

Fomos amarrados, torturados e trazidos para as praias do Maranhão. O culto Vodun e os tambores do Daomé se misturam aos rituais do Candomblé e as lendas da terra das encantarias.

O legado africano e o conhecimento sobre as lendas do Maranhão fizeram surgir o Candomblé Jejê. O culto aos Voduns ganha uma nova e velha identidade no Brasil. A Casa das Minas Jejê – O Templo de Querebentã, é o terreiro mais antigo e ancestral.

E da força da Casa das Minas surge o Tambor de Mina, a festa do Divino Espírito Santo; o Tambor de Crioula…

É o panteão afro-brasileiro em mais uma de suas manifestações culturais e expressões populares. Vamos louvar aqueles que resistiram a história. Aqueles que mantiveram sua crença viva em meio a dor e ao sofrimento. Salve os Ewe-Fon! Salve o povo Jejê! Salve o Candomblé! Os Abatás tocam seus tambores na terra da encantaria!

A Tigres de Niterói é resistência. É ancestral. Kolofé!
Setorização:

1º Setor – Criação Vodun
2º Setor – O Reino de Daomé
3º Setor – Maranhão – Lendas, Mistérios e o Folclore da Terra da Encantaria
4º Setor – O Candomblé Jejê – A Velha Raça Brasileira e suas Manifestações Culturais

Comentários do Facebook