Fernanda Young é o enredo da Imperadores da Alvorada na LIESV.

A vida de Fernanda Young é o enredo escolhido pela escola nesse ano de estreia. Buscando o diferencial para alcançar o tão sonhado título, o presidente promete um desfile grandioso pra marcar o primeiro desfile da Imperadores da Alvorada. Vejam o que ele nos contou:

1- Porquê a escola escolheu esse enredo?

Porque é inédito e a homenageada merece.

2- Como será desenvolvido na passarela João Jorge 30? (Ficha técnica, alas, alegorias,casais e afins)

Ainda estamos finalizando esse planejamento, mas vamos mostrar quadros baseando-se nos temas de suas obras. Passaremos pela fase mais depressiva, as impressões dela sobre a loucura, sobre o amor, o bom humor, e as brincadeiras com o fim do mundo.

3 – Qual a motivação da escola em busca do título?

A motivação da escola é? E seguir em frente com suas proposta e objetivos, de fazer um enredo,historico “exclusivo”

4- O que os espectadores podem esperar da escola em 2020?

Podem esperar um enredo com abordagem completamente diferente do comum.

5- Como será feita a escolha do samba?

Será feita encomenda.

6- Considerações finais

Vamos avante alvorada ,conseguir o nosso titulo.

Segue agora a sinopse do Enredo:

Posso pedir perdão só não posso deixar de pecar

Apresentação
A escritora, atriz, roteirista e apresentadora de televisão Fernanda Young, nasceu em Niterói em maio de 1970, e viveu a maior parte da vida em São Paulo. Foi casada com o roteirista e escritor Alexandre Machado, com quem teve duas filhas. Em 2019 morreu precocemente. Em 2020, se viva fosse, completaria 50 anos.

Produziu vasta obra, predominantemente livros e roteiros de séries de TV. Seus personagens inspiravam cinismo e refletiam, como definia, “a emergencialidade do nosso coração, o riso frouxo escondido atrás da porta, a crônica ridícula da nossa existência”.

Como escritora publicou “Vergonha dos Pés” (1995), “As Sombras de Vossas Asas” (1997), “Cartas Para Alguém Bem Perto” (1998), “As Pessoas dos Livros” (2000) e “O Efeito Urano” (2001), “Aritmética” (2004), “Dor do Amor Romântico” (2005).

Como atriz, atuou na minissérie “Yayá Garcia” (1989) na novela “O dono do mundo” (1991) da Rede Globo de Televisão, além de “Surtadas na Yoga” (2013), pela GNT.

Como apresentadora, esteve frente aos programas “Saia Justa” (2002-2003), “Irritando Fernanda Young” (2006 a 2010), “Duas histéricas” (2011); e “Saturday Night Live Brasil” (2012) pela Rede TV. Em maio de 2012, estreou no GNT o programa “Confissões do Apocalipse”, seguindo a linha de entrevistas com pessoas conhecidas, porém tendo como pano de fundo a previsão maia acerca do fim do mundo, em 21 de dezembro de 2012, data de sua última exibição.

Como roteirista, atuou na mídia televisiva em “A comédia da vida privada” (1995); “Os normais” (2001 a 2003); “Os aspones” (2004); “Super Sincero” (2005); “Minha nada mole vida” (2006); “O sistema” (2007); “Nada fofa” (2008); “Separação?!” (2010); “Como aproveitar o fim do mundo” (2012) e “O dentista mascarado” (2013). Também fez roteiros para o cinema em “Bossa Nova” (2003); “Muito gelo e dois dedos d’água” (2006) e “Os normais 2 – A noite mais maluca de todas” (2009). Foi duas vezes indicada ao Emmy Internacional de Melhor Comédia, pelos seriados “Separação?!” e “Como Aproveitar o Fim do Mundo”.

Fernanda tinha uma personalidade forte. Emitia declarações controversas, tinha obsessão com cultura pop e criticava em sua obra o machismo, ainda entranhado na sociedade brasileira pós-moderna. Seu visual, construído por cabelos geralmente curtos, grandes tatuagens e ostensivas pulseiras retrô, era complementado por um tom ora crítico e irônico, ora bem-humorado, que legitimava imagens e comportamentos convencionalmente femininos, como sexo, casamento, filhos, insegurança, estética e os papéis de gênero.

Propomos uma apresentação de quadros temáticos ao invés de uma biografia cronológica. Nosso desfile é uma homenagem singela, mas original. A sinopse que apresentamos é uma colcha de retalhos de diversas frases suas. Aparentemente “anticarnavalesca”, Fernanda nos trouxe o desafio de abordar sua obra e provar que é possível que ela esteja no carnaval.

Sinopse
Um dia eu disse que sou tudo de errado que existe na consciência. Sou uma realidade mixuruca e uma fantasia inebriada. Sim, claro, eu sou uma doente mental que acredita no que nos dizem. Eu sou mole demais por dentro para deixar todo mundo ver. Ninguém sabe. Mas eu tenho coração de moça. Sou muito sensível e punk. Tinha que fazer alguma coisa com essa energia e maluquice. A literatura me salvou. E continuo firme escrevendo.
Temos que levar em consideração que eu sou uma mulher incomum e, graças a Deus, não agrado a maioria. Agradar a maioria me deixaria muito preocupada. O problema é que quero muitas coisas simples, então pareço exigente. Aqueles que gostam da lâmina, os poucos, irão lambê-la. Eu gosto de ser lambida pela coragem. A língua que lambe pode se ferir, assim como quem diz a verdade.

Sabe qual é meu sonho secreto? Que um dia você perceba que poderia ter aproveitado melhor a minha companhia. Mas não: você prefere gastar seu precioso tempo me detestando. Não sei nem se sou merecedora de tamanha consideração. Prometa que nunca vai deixar de me odiar ou não sei se a vida continuaria tendo sentido para mim. É seu ódio profundo que me dá forças para continuar em frente, exatamente da minha maneira. Guardo as minhas rejeições em vidrinhos rotulados com o nome delas.

Me dei conta de que não sou eu quem sai perdendo nessa história. Ponto pra mim. Rumo ao zero absoluto. Zerar todo e qualquer sentimento. Me esvaziar para encher de novo depois, com sentimentos fresquinhos como a primavera. E, mesmo assim, estarei sempre pronta para esquecer aqueles que me levaram a um abismo. E mais uma vez amarei. E mais uma vez direi que nunca amei tanto em toda a minha vida. O amor é fundamental. O amor é o princípio, é o êxtase, é a eliminação do ego. Como é engraçada a miopia dos amantes histéricos.

O amor me faz uma bondosa enfermeira. Quando termina peço a conta de clínica geriátrica e vou visitar os mortos, aqueles amores antigos, no cemitério. Mas a boa assistente já secou a sua paciência e todas as rosas que não recebeu. E mesmo as que recebeu: também estão secas. Mas quando for a hora de me calar e ir embora, sei que, sofrendo, deixarei você longe de mim. Não me envergonharia de pedir ao seu amor esmola, mas não quero que o meu verão resseque o seu jardim.

Então, eis a minha única curiosidade: você às vezes pensa nisso como eu penso? Com um suave aperto no coração? Menos purpurina, Carnaval. Acha-se a coisa mais linda do mundo e é cafonice pura. Vive desfilando pelas ruas, junto com os bêbados, relembrando o passado. Chega a ser triste. Será que essa sua alegria toda não é para esconder alguma profunda tristeza? Será que você canta para não chorar? Olha, desta vez você passou das medidas. Só não boto você para fora, agora, porque é a sua cara dar escândalo.

Sou livre para decidir cada próximo segundo da minha vida. Eu sou azul. Vejo o azul sereno através das pálpebras fechadas, guardei todas as cartas que li dentro de mim. Chegou a hora de dar chance à alegria, que há muito tem mostrado interesse em passar um tempo comigo. A harmonia vem da evolução, não das alegorias. Chegou a hora de rodar a baiana para não atravessar na avenida. Como será amanhã? Responda quem puder.
Eu tento transmitir o máximo de verdade e sentimentos. E só fiz isso a minha vida inteira. Ler um livro meu deve ser um exercício de iconoclastia. Eu só quero que algumas pessoas consigam captar alguma beleza nas minhas palavras.

Deixo para todos nós palavras que desenham uma despedida, que é sempre amarga quando o episódio termina ou quando o livro se fecha. Se algum dia, tendo bebido demais, sei lá, você acabar pensando tolices parecidas com estas, escreva também uma carta. Bom é isso, se agora isso ainda me causa alguma tristeza, tudo bem. Ser medíocre é viver na zona franca da existência.

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