Após ausência de quatro carnavais, Estrela do Amanhã está de volta.

A Estrela do Amanhã está de volta a LIESV, após uma ausência de quatro carnavais virtuais (cinco com o nome Estrela do Amanhã, pois em 2015 desfiou como Estrela Sambario, uma união com a Bambas Sambario, escola atualmente inativa). A azul, branco e prata de Porto Alegre retorna prometendo um grande desfile no Grupo de Acesso 2020. “Eu estava fora da LIESV desde 2015 por motivos pessoais, mas retornei para 2020 como diretor da Cangaceiros e já faz algum tempo estava com vontade de trazer a Estrela de volta, nem que fosse para um último desfile, quando o Thiago Morganti me trouxe o projeto, que tinha com o Marcus Vinicius, eu topei na hora e a vontade virou realidade”, afirmou o Presidente e fundador da escola, Theo Valter Knetig.

Com o enredo “Ojuobá – O Herdeiro aos olhos de Xangô”, de autoria de Thiago Morganti, a Estrela do Amanhã terá como carnavalescos a dupla Marcus Vinicius e Thiago Morganti, campeões do Grupo de Avaliação 2013 da liga pela Águia do Estácio e que também trabalharam juntos na Bandeirante da Folia em 2010 e 2011. “É uma honra poder ajudar a trazer de volta essa que é uma das mais tradicionais escolas de samba virtuais, uma agremiação com uma história riquíssima e que merece estar na passarela e este retorno também marca a volta da minha parceria com o Morganti trabalhando juntos em um desfile virtual”, explicou um dos novos carnavalescos da escola, Marcus Vinicius.

O enredo da Estrela do Amanhã irá contar a história de Hilário Remidio de Reis das Virgens, conhecido como o herdeiro de Xangô. “Para o carnaval 2020, a Estrela do Amanhã levará a história de Hilário Remídio, um antigo pai de santo nascido em Salvador, que dedicou sua vida a alimentar a cultura afro no Brasil e a levar os princípios de Xangô para onde fosse. Remídio é conhecido como o verdadeiro Ojuobá de Xangô, um dos maiores títulos que alguém pode receber dentro do Candomblé. Hilário também foi inspiração para Jorge Amado, outro Ojuobá, em sua principal obra, a Tenda dos Milagres. Ele é mais um daqueles nomes esquecidos na história e merece ser relembrado”, concluiu o autor do enredo e também carnavalesco da escola, Thiago Morganti.

Confira a sinopse abaixo:

Ojuobá – O Herdeiro aos olhos de Xangô

Prefácio e Justificativa

Carnaval 2020

Uma história tem um novo recomeço.

Exatamente de onde parou. Com as mesmas cores. A mesma estrela. O mesmo amor pelo carnaval

A Estrela do Amanhã voltou!

Voltou para continuar aquilo que nunca acabou, apenas havia descansado.

E não poderia escolher tema melhor. Não poderia ter uma história mais perfeita do que essa.

Hilário Remídio das Virgens

Daqueles homens esquecidos na história, mas que merecem todas as homenagens possíveis.

Ele que era simples, nascido do ventre de uma escrava, mas foi escolhido pelo rei.

Kaô Xangô!

A Estrela do Amanhã vos apresenta:

Ojuobá – O herdeiro aos olhos de Xangô

Sinopse

13 de Janeiro de 1884

Hilário Remídio das Virgens nasce em Salvador. Nascido protegido pela lei do ventre livre, ele, mesmo que filho de uma escrava, não precisou seguir os passos da mãe.

Ele já havia um destino traçado para seguir!

De sua liberdade havia um protetor por trás. Sua liberdade havia sido traçada em outros planos. Exu abriu seus caminhos para que ele fosse entregue ao Rei da Justiça! Xangô! Ele que protegeu o pequeno menino, através de seus guerreiros e do fogo da justiça, para que tivesse a libertação durante toda a vida!

Através de seu avô, Unjibenjin, Hilário havia tido sua iniciação no candomblé antes mesmo de nascer. Sua cabeça seria de Oxalufã, mas teria como seu guia maior Xangô, tendo Ayrá como sua primeira vertente.

Hilário teve vários guias, mas com certeza, seu avô e sua mãe Mariquinha foram os que o guiaram em busca da sua ancestralidade. Era um homem de fé!

Nunca renegou sua ancestralidade, nunca negou seus antepassados e sua primeira convocação espiritual, através das Otás, foi para Oxalufã. A forma antiga de Oxalá guiou o menino por toda a sua vida!

Hilario cresceu e viveu na cidade de São Salvador da Bahia, capital do estado. Tinha uma vida simples, criado na conhecida “Cidade Baixa”, entre os jogos na rua e as idas aos diversos terreiros de candomblé com seu avô, ele também gostava de frequentar o Pelourinho, centro histórico da cidade, onde se conta muito a história do negro no Brasil.

Foi por lá que conheceu Mário Barcelos, um conhecido Ogã e devoto de Xangô – na vertente Ouros, uma das mais difíceis de lidar, que já conhecia a história do Pai Hilário de Xangô, e foi atrás desse conhecido pai de santo para pedir que o guiasse com seu santo de cabeça.

Mário foi o grande responsável por ampliar os horizontes de Hilário e o fez ir para o Rio de Janeiro.

Sem dinheiro fez oferendas a Iemanjá para que ela pudesse guiar seus caminhos e levar, junto com ele, a imagem de todos os orixás em proteção.

Iemanjá literalmente carregou o Pai de Santo rumo ao seu destino através de um navio de madeira, mas protegido por sua fé.

A importância desta mudança é imensa. Hilário teve, junto com seu avô, ensinamentos de todas as nações do Candomblé, mas a que ele mais seguiu, na sua ida ao Rio de Janeiro, e é um dos principais responsáveis pela disseminação dela no estado, é a Ketu.

Hilário é considerado um dos pais do Candomblé Ketu-Angola no Brasil, mas principalmente em Terras Cariocas.

Outra característica forte de Hilário era a forma como ele defendia suas raízes e a sua cultura afro descendente. Saia nas ruas vestido de pai de santo todos os dias. E fazia questão de contar para todos.

Ele era daqueles pais de santo que explicava para qualquer um sobre todas as coisas que rodeiam o candomblé e fazia questão de mostrar que aquilo ali não era nenhuma magia negra.

Pretas-Velhas, Macumba, Amalá, Terreiro, Galinha preta.

Esses eram os principais questionamentos que recebia diariamente, e mesmo assim, explicava quantas vezes fosse preciso para que afastassem todo o preconceito existente por trás da religião.

Foi assim que aprendeu com Mãe Menininha do Gantois, mais uma de suas grandes referências no candomblé.

E para vida dele, sempre levou os ensinamentos do seu santo! A justiça sempre foi a sua principal característica, ainda mais de um homem que veio de um mudo cercado pela injustiça, e isso o fez ser um defensor ferrenho das classes sociais, assim como seu pai Xangô.

O Alujá para Xangô sempre foi uma rotina para ele. Montava grandes festas em comemoração ao seu santo. E também para Obá, a primeira mulher do rei da justiça. Sua casa de santo ficou conhecida pelos grandes festejos.

Hilário merecia mais do que ser apenas filho de Xangô. A representatividade dele é tão grande que serviu de inspiração pra Jorge Amado em “A tenda dos Milagres”, onde o personagem Pedro foi baseado na história dele.

Isso porque Hilário era muito mais que um pai de santo!

Hilário era o verdadeiro herdeiro de Xangô na terra.

Hilário foi o Primeiro Ojuobá! O Verdadeiro!

E hoje, com certeza, está por ai pregando a justiça e paz

E a Estrela do Amanhã vem coroar-te!

Kaô Kabecilê, Hilário.

Autor: Thiago Morganti

A Estrela do Amanhã já tem samba enredo para o Carnaval Virtual 2020.

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