Nessa sexta feira 13, a Leões da Casa Verde lança seu enredo em busca do título.

Conversamos com o carnavalesco da agremiação sobre o enredo, Jhonathan nos disse o que espera pra esse carnaval. Abaixo detalhes da conversa, e a sinopse do enredo, que ainda não tem seu nome oficial definido.

“Brasil Café, o Amargo Grão do Progresso”

As histórias do Café de Vó Iáiá


Segure uma xícara exalando o aroma de um bom café e você
estará com a história em suas mãos. (MARTINS, 2012, p. 3)
Vosmicê fica a vontade pra sentar.
Vô abrir a janela cadiquê tá saindo um cafezinho nesse instante.
Sente como é bom esse aroma que perfuma a casa!
Esse aroma tem história e vô te contar um cadin dela. Vô te falar
porque eu e o café somos próximo.
Quero falar não só da minha história, mas das mão daqueles que
fizeram o café o Rei do Brasil.
Meu pretinho, o café, veio de muito longe, de lá do outro lado do
mar. Nasceu nos braços da Mãe África, nas terras altas de um lugar
chamado Kaffa, lá na Etiópia, onde as sinhôra fazia a infusão dentro
da jebena1
. Ele fez a alegria das cabras e dos povos que lá viviam.
Mas aventuroso que só ele, logo atravessou as águas do mar
Vermelho e chegou na “terra das mil e uma noite”, onde foi cultivado
e se tornou o vinho da Arábia.
E o danado do café foi trazido pelos homem branco holandês pra cá
pro Novo Mundo, num tal de Suriname. Não sei se por esperteza ou
cortesia, clandestinamente veio pra cá pro Brasil, onde os homem
branco dizia: “em se plantando tudo dá”2
. Ai ele andou pelo Pará,
também no Maranhão, Bahia, até que desceu pro Rio de Janeiro,
Minas e São Paulo. Foi por essas banda que ele ficou forte, quando foi
plantado no Vale do Paraíba. Tempo depois foi atrás da terra roxa do
Oeste.3
Foi nessa época que minha vó veio como escrava pra cá.
O café testemunhô a chiqueza da família real imperial. Foi nesse
tempo que o dinheiro da produção dele fez o país começá a se
industrializá. As primeira estrada de ferro pros trem. Meu pretinho fez
tanto sucesso que chegou a ser bordado na bandeira.
Mas nem tudo era alegria. Longe das casa das sinhá, meu povo preto
penava que dá dó. O café viu as tortura e alforria dos nosso irmão.
Nosso povo plantava a semente e os panhador de grão esperava três

ano pra colhê, ai tinha que penerá pra separar os grão. Ai secava eles
no terreiro pra depois torrá e moer no pilão. Demorou um tanto
quando se ouviu pelas plantação: “liberdade, liberdade”. Minha mãe
nasceu quando nosso povo já tava livre. Ela viu a chegada dos branco
italiano pra trabalhar nas lavoura por causo do café.
Com o tempo tudo muda num é mermo? Ai o rei deu lugar pros
coroner. Minha mãe dizia que tudo era a tal da República, mas nosso
povo num sabia quem era. Só se sabia que os coroné paulista ficavu
se revezando com os coroné mineiro. E o povo que votava era
obrigado a votá em quem os coroné dizia4
. Foi quando eu nasci lá em

Ai veio um tal de Vargas e só lembro que ele mandava queimá
o café5
.
O tempo passó e o país ficó mais muderno. Tinha indústria, carro e o
rádio. Lembro de quando escutei a música pela primeira vez de
dentro do rádio, na casa da sinhá. Nós pensava que a cantora tava lá
dentro. Mas as música só fazia abafar os gritos do nosso povo com
fome. O trabaiadô ganhava direito no trabaio mas não podia falá. O
café foi levado lá pro estrangeiro pela Carmen Miranda. E aqui, nosso
povo foi esquecido no alto dos morro ou atrás dos muro da periferia.
Mas a gente resistiu!
E como é carnavá, tamo aqui tomanu essa xícara de café nessa
quarta de cinza. O carnavá é onde todo mundo se encontra, onde
vestimo nossa fantasia e brincamo de viver num mundo onde todo
mundo é igual. Hoje eu quero comemorá o título da Leões, a escola
daqui da Casa Verde, o lugar onde escolhi ser feliz. Sou Iáiá, a dona
do café mais famoso da região. Mia história acaba aqui, mas o do
café continua!

1
Em amárico, significa o recipiente usado para fazer café na cerimônia tradicional.
2
Expressão que remete à Carta que Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei Dom Manuel, no dia 1º de
maio de 1500, contando sobre a nova terra, e que é considerada a certidão de nascimento do Brasil.
3
Oeste paulista, com sua “terra roxa” a partir de 1850.

4
O voto de cabresto resultou na democracia amordaçada da população mais carente pela imposição dos
coronéis. Cabresto é uma palavra que vem do latim capistrum, que significa “mordaça”.
5 Medida usada pelo governo para controlar os preços do café.

Autor: Jhonathan Nogueira Martiniano

1- Por que a escola escolheu esse enredo?
Escolhemos esse enredo pelo apelo popular que ele tem e por nos proporcionar a possibilidade de recontarmos a nossa história.
2- Como será desenvolvido na passarela João Jorge 30? (Ficha técnica, alas, alegorias, casais e afins)
A GRES Leões da Casa Verde tem buscado corrigir os erros apontados no último desfile, visando a evolução plástica e musical da escola. Por questões estratégicas, nós optamos por manter nosso barracão fechado, sem revelar detalhes do que levaremos para a avenida. Mas queremos salientar o nosso compromisso em surpreender o público.
3- Qual a motivação da escola pra buscar o título?
Nossa maior motivação é a busca do nosso primeiro título. Queremos provar para nós mesmos que é possível! E, não menos importante, queremos fortalecer nossa identidade no carnaval virtual.
4- Como será feita a escolha do Samba?
Iremos encomendar.
5- O que os espectadores podem esperar da Leões em 2020?
É como dizem: “para correr riscos, basta estar vivo” Então esperem os Leões mais guerreiros que a passarela João Jorge 30 já viu!
6- Considerações finais
Primeiro, queremos parabenizar a LIESV pelo trabalho desenvolvido pela nova gestão. Segundo, queremos declarar o orgulho de termos escolas coirmãs tão generosas, cujos profissionais se empenham em elevar a qualidade ano após ano. Não nos esqueçamos que somos mais fortes quando caminhamos juntos!


Regras para a participação do concurso:

A escola decidiu cancelar o concurso de samba-enredo. O samba de 2020 será encomendado

Comentários do Facebook