Cantando a diversidade, Imperatriz Ludovicense aposta na irreverência! Veja a sinopse.

Depois do título do Grupo de Acesso A em 2016, a Imperatriz Ludovicense fez um carnaval de 2017 de muita dificuldade. Passado esses problemas, a escola mostra estar mais forte do que nunca em busca do título do Grupo Especial. Segundo Cleiton Almeida, carnavalesco e enredista da escola, a aposte desse ano é num enredo sobre a diversidade: “O enredo da Imperatriz Ludovicense para 2018 é uma fábula sobre como a chegada de uma cultura pode arruinar a liberdade sexual de outra. Apresentamos uma narrativa baseada em recortes da história do Brasil, e mostramos como aquele choque de pensamentos influencia o mundo contemporâneo.”

Ao ser questionado da expectativa para o Carnaval Virtual 2018, Cleiton respondeu: “Esperamos realizar um desfile irreverente, com um conjunto visual leve e de fácil leitura. Sempre esperamos os melhores resultados, mas que sejam frutos de um trabalho bem feito e repleto de felicidade.”.

Confira abaixo a sinopse e as regras do concurso de samba enredo:

Enredo 2018: “É para todos e para todas sempre será! – O Paraíso da Diversidade”

Sinopse:

Apresentação

Para o carnaval de 2018, o SESV Imperatriz Ludovicense apresenta o enredo “É para todos e para todas sempre será! – O Paraíso da Diversidade”, uma maneira lúdica e delirante de contar sobre como a diversidade sexual brasileira foi arruinada com a fé colonizadora. Utilizando-se de uma linguagem e estrutura fabulística, nossa escola cria uma narrativa com personagens fictícios, baseada na própria história do Brasil, a partir de fatos e estudos sobre como era a vida dos habitantes do nosso país antes e depois da chegada dos colonizadores. Analisa-se os impactos dessas mudanças na sociedade contemporânea e a relação delas com a censura e o preconceito contra grupos LGBT+.
Contudo, embora a maioria das informações tenham fontes seguras, essa é uma parte da história ainda pouco estudada. Durante a construção do enredo, teve-se a liberdade de pegar dados de tribos diferentes e uni-los em um só “Paraíso”, onde os habitantes celebram a sua própria natureza e têm a diversidade como maior divindade.
Sinopse

Imersão em conhecimento
Em terras tropicais, existe um Paraíso de estonteante beleza. Ele, que já foi um lugar plural, de exuberante natureza e riqueza de cores, é propriedade de um ser tão vibrante quanto o próprio: a Diversidade. Ela o criou para ser a morada das mais variadas criaturas – os paraiseiros – que conviviam em plena harmonia, com respeito mútuo . Porém, o Paraíso da Diversidade já não é mais o mesmo. Ele se transformou em um lugar cinzento e frio, onde a repressão se estabeleceu e a liberdade se encontra ameaçada.
Inconformada com a atual situação de seu Paraíso e com o intuito de revertê-la, a Diversidade viaja rumo ao passado para descobrir quem é o responsável pelas mudanças em suas terras, para assim poder expulsá-lo. De mente aberta, imerge em conhecimento – a melhor maneira de compreender a história.

Absorção da história
Imersa. Está na origem do Paraíso. Seus primeiros habitantes gozavam de uma gostosa liberdade e naturalidade. Exerciam seus prazeres como exerciam a própria vida. Noites de luar, atos de amor. Selvagem, por que não? A cultura sexual autóctone era avançada, repleta de variedades e fantasias. A fauna e a flora eram tão fogosas e diversas quanto os desejos dos nativos. A Diversidade estava presente em cada singularidade daquelas plurais terras continentais.
A vida no Paraíso era fluida. Longe de ser uma bagunça, pelo contrário, era muito bem organizada pela própria natureza. Aceitava-se a individualidade dos habitantes, independente de suas preferências. Homem, mulher ou ambos. Ter dois espíritos era uma dádiva – um presente da Diversidade. E esses seres que transitavam entre múltiplos caminhos desempenhavam papel espiritual dentro do Paraíso – tinham potenciais xamânicos. Eram curandeiros que carregavam a sabedoria da natureza. Eram pajés que lideravam a tribo com empatia e sensibilidade.
Contudo, a Diversidade vê chegar em seu Paraíso um personagem de caráter sombrio. A bordo das caravelas da fé, desembarcam nessas terras tropicais o Pecado e seus servos. Os recém-chegados, ao verem a liberdade dos nativos, ficam espantados: “Ora pois, sem coisa alguma que lhes cubra as vergonhas!”. O Pecado achava que sua cultura era superior a dos habitantes do Paraíso, então passou a doutriná-los segundo seus costumes. Instaurou o mito do céu e do inferno, que se tornou uma lei geral. Uma nuvem de culpa e vergonha preencheu a atmosfera. O paraiseiro, encurralado pelos servos do Pecado, precisou se vestir. E escondendo sua nudez, escondeu também um pouco de sua felicidade.

A partir do vestimento dos nativos, os rígidos princípios do Pecado vigoraram pelos séculos seguintes. A castidade dos habitantes do Paraíso era obrigatória e só era permitido o sexo entre homem e mulher, dentro do casamento. Mas nem mesmo para isso a roupa poderia ser retirada! Aos poucos, os paraiseiros foram alienados e esqueceram que aquele era o Paraíso da Diversidade. O que era natural, se tornou bestialismo. Exercer sua própria natureza foi proibido, abominável. O que antes era liberdade, se tornou crime. Habitantes condenados à prisão, à tortura ou até à morte. O Pecado, com suas Tarântulas do mal, apagou as cores da Diversidade e devastou toda a cultura sexual do Paraíso.

Desde então, o Paraíso permanece em escala de cinzas. Os paraiseiros vivem presos à culpa do Pecado e reprimem seus desejos. Foram ensinados a julgar e a condenar a sexualidade alheia e a jamais fugir do padrão imposto que persiste até a atualidade. O sexo é um tabu. O retrocesso foi imenso. A censura e o preconceito contra a Diversidade se mantém. Quem antes era celebrada, hoje é marginalizada. Não é recomendada à sociedade.

Emersão para a transformação
Chegando ao hoje, a Diversidade emerge para um novo tempo. Já absorveu conteúdo suficiente para restabelecer seu Paraíso como sonhou e criou. Em uma sobrecarga de cor e brilho, transforma-se em um ser superpoderoso. Na força do seu bate-cabelo babadeiro expulsa o Pecado de suas terras tropicais para sempre. Para recolorir o Paraíso, chama todas as manas, as minas, os manos e as monas. Em um movimento de pura expressividade, pinta no céu um arco-íris de glitter, uma promessa que a Diversidade nunca mais deixará o Paraíso ser destruído. Um elo de amor entre ela e os paraiseiros.

No Paraíso da Diversidade entram todas as pessoas, de todos os gêneros e de todas as sexualidades. Só não entra o Pecado com seu preconceito, raiva e discriminação.

Autor: Cleiton Almeida

Regras para o Concurso de Samba de Enredo da Imperatriz Ludovicense:

– O compositor pode enviar quantos sambas quiser, seja solo ou com parceria;
– A gravação pode ser à capella (só com voz) ou com bateria de fundo;
– Os sambas devem ser enviados em mp3 ou wma para marcelolvferreira@gmail.com
Qualquer dúvida, entrar em contato com o presidente Marcelo Ferreira , Carnavalesco Cleiton.

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